A edição de 2026 da Expo West confirmou o que os dados já apontavam: o consumidor quer mais qualidade e transparência, sem promessas vazias. As marcas que entenderam isso chegaram ao evento com produtos que têm grandes chances de explodir.
Entre as presenças que chamaram a atenção este ano, seis marcas traduzem bem as tendências que devem movimentar o mercado nos próximos meses: de ingredientes limpos a proteínas funcionais, de pet food reformulado a um chocolate que finalmente entrega o que promete.
My better batch

O mercado de panificação doméstica explodiu durante a pandemia e criou um consumidor mais exigente. Quando a vida voltou ao ritmo normal, ele não aceitou retroceder na qualidade. A marca oferece misturas prontas para cookies com ingredientes não-GMO, sem aditivos desnecessários e com inclusões premium de chocolate. O resultado são cookies que rendem cerca de 16 unidades por caixa, com sabor e textura de receita feita em casa.
A proposta não é substituir o ritual de assar, mas garantir que quem tem pouco tempo não precise escolher entre conveniência e qualidade. Três passos, ingredientes limpos e um resultado que ninguém identificaria como um produto de caixa. O posicionamento faz sentido em um mercado onde o “clean label” deixou de ser nicho para virar expectativa.
JuicyBite

O setor de proteínas prontas para consumo tem um problema antigo: entrega conveniência, mas sacrifica textura e sabor. Quem já comeu peito de frango embalado sabe do que se trata. A marca traz para os Estados Unidos uma tecnologia de preparo desenvolvida na Coreia do Sul, onde a indústria de frango pronto enfrentou exatamente esse desafio e encontrou uma solução.
O resultado é um frango pronto para o consumo, em porção individual, com 25g de proteína por porção, sem necessidade de preparo e com a textura que o segmento nunca conseguiu entregar de forma consistente. Fundada por Steve Kim, ex-engenheiro nuclear e consultor de private equity, a JuicyBite parte de um diagnóstico simples: comer proteína limpa com frequência não deveria depender de tempo ou de abrir mão do prazer. O produto chega a um mercado americano que já normalizou a suplementação e agora começa a exigir que a “comida de verdade” também funcione.
Chobani

Líder de mercado nos Estados Unidos, a marca fundada por Hamdi Ulukaya em 2005 continua sendo uma referência de como construir escala sem perder o propósito. O que chama a atenção na presença da Chobani na Expo West deste ano não é um produto específico, mas a trajetória de expansão que a marca representa.
A empresa começou com iogurte grego e hoje atua em bebidas à base de aveia, cremes e outras categorias de laticínios e não lácteos, sempre com o mesmo argumento central: comida nutritiva, acessível e sem concessões na qualidade. Para o mercado brasileiro, a Chobani funciona como um benchmark do que é possível fazer quando inovação e acesso caminham juntos.
Smolbol

O mercado de snacks saudáveis está cheio de produtos que usam “ingredientes naturais” no rótulo, mas entregam uma lista de 20 itens no verso da embalagem. A Smolbol não tem esse problema. O produto é direto: amendoim levemente torrado envolvido em uma casquinha crocante de mandioca; apenas seis ingredientes, sem glúten e sem adição de componentes sintéticos.
O que torna a proposta relevante, além da simplicidade, é a combinação de ingredientes. Amendoim e mandioca formam uma dupla que faz sentido nutricional e sensorial, carregando um apelo de autenticidade que o consumidor de hoje reconhece. É o snack que funciona no cotidiano, em qualquer contexto, sem precisar de argumentos elaborados para justificar a compra.
Ava’s Pet Palace

O mercado pet cresceu de forma acelerada nos últimos anos, mas nem toda marca que entrou nessa onda entregou um produto à altura da demanda. A Ava’s Pet Palace tem uma história de origem incomum: foi fundada por Ava quando ela tinha apenas oito anos, com a missão clara de oferecer petiscos com sete ingredientes ou menos, sem trigo, milho ou soja, sem enchimentos sintéticos e com formulação veterinária.
A marca também opera com embalagens sustentáveis e entregas com compensação de carbono. O mercado pet está amadurecendo na mesma direção que o de alimentos humanos: o tutor exige rótulo limpo, origem rastreável e impacto ambiental reduzido. A Ava’s Pet Palace posiciona tudo isso como padrão, não como diferencial. Esse é o movimento que define quem vai liderar a categoria nos próximos anos.
7th Heaven

Existe uma brecha histórica no mercado de chocolates veganos: o produto é ético, mas o sabor raramente convence quem cresceu comendo chocolate ao leite. A 7th Heaven foi criada por Daniel e Elya Bareket exatamente para fechar essa lacuna. Após anos de desenvolvimento, a marca chegou a uma formulação cremosa, sem laticínios, com cacau de origem fair trade e mix-ins que tornam cada versão uma experiência diferente.
O resultado é um chocolate que não pede concessões. Não é “bom por ser vegano”; é bom e, por acaso, também é vegano. A distinção importa, pois o consumidor plant-based atual não está disposto a negociar sabor por princípios — ele quer os dois, e a 7th Heaven entrega.
O que essas marcas têm em comum
A Expo West 2026 mostrou que o espaço para produtos medianos está encolhendo. O consumidor está mais informado, exigente e menos tolerante com promessas vazias. As marcas que foram a Anaheim com produtos construídos com verdade saíram de lá com atenção real.
Agora fica a pergunta: qual dessas marcas vocês gostariam de ver aqui no Brasil?